“Eu adoro sentir o dinheiro novinho nas minhas mãos.” Ouvi essa frase, boquiaberta, há poucos dias, pois quem falou, toda risonha, foi minha afilhada de oitos anos. Ela gosta especialmente da “onça”, a nota de R$50, e do “peixe”, a de R$100. Mantém uma porcada para as moedas, de preferência de R$1: a danadinha tem quatro cofrinhos, estrategicamente posicionados na casa dos pais, dos avós e de uma tia. Não perde a chance de abastecê-los. No ano passado, ficou muito chateada por ter de devolver “uma onça” para ajudar a pagar o dentista, já que teve diversas cáries. Por ora, está tão preocupada em acumular que não fala em como vai gastar a poupança. Mas já sabe como preservá-la. Graças à escovação correta, não tinha cáries na visita mais recente ao dentista. E pôde manter consigo todas as suas oncinhas.

“A maneira como a criança lida com o dinheiro é fortemente influenciada pelo modo com que seus pais lidam com os recursos”, diz Cássia D’Aquino, especialista em educação financeira. E esse jeito é levado para a vida adulta. Por isso, defende, é de pequenino que se torce o pepino. É preciso dar educação financeira aos filhotes, além, claro, de bom exemplo na organização do orçamento. É nesse contexto que a controversa mesada pode ter uma serventia extra, além da aquisição de balas, chicletes e afins. Dar dinheiro aos filhos não é obrigatório, depende da situação e dos valores de cada família, destaca Cássia. Mas se os pais decidem fazê-lo, devem aproveitar a deixa para falar sobre o prazer do consumo e a necessidade de fazer poupança. Vincular a mesada às tarefas, sejam elas domésticas ou escolares, é uma idéia recorrente. O problema, lembra Cássia, é que nem todas as crianças têm tanto interesse por dinheiro. Daí, os pais podem ter ainda mais dificuldade para convencer os filhos a estudar, por exemplo. Além do mais, tendem a criar pequenos mercenários.
As crianças podem começar a receber algum dinheiro a partir dos seis anos. Mas não uma “mesada” de fato. Até os 11 anos, o período de um mês é longo demais. Por isso, uma “semanada” é melhor até a pré-adolescência. Com relação aos valores não há regras e, novamente, tudo depende da situação da família. Uma sugestão é dar algo como R$ 1 por ano de vida da criança. Assim, aos 8 anos de idade, o filhote recebe R$ 8 por semana. Aos 11 ou 12 anos, mais ou menos, já pode haver um reajuste de valores. Pode passar para R$ 1,50 ou R$ 2 por ano de vida por semana. E a entrega pode se tornar mais esparsa: deixa de ser semanal para se tornar quinzenal. Assim, aos 14 anos, o adolescente receberia algo entre R$ 40 e R$ 55 a cada 15 dias.
Já na fase do colegial, os jovens costumam ter mais necessidades. Então, uma nova etapa pode se iniciar. O ideal é conversar com eles para saber quanto gastam com alimentação, lazer e outros itens para estabelecer a mesada. Pois, nessa idade, os filhos já devem estar maduros parar gerir o dinheiro durante todo o mês, como provavelmente acontecerá na vida adulta.
Por Juliana Garçon
Fonte: http://www.bmfbovespa.com.br/mulheres/noticias
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Notícia reproduzida do Supremo em Dia.
