“Foi realmente algo de Deus”

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“Faríamos tudo de novo. Somos muito abençoados”. Assim resume Nilson, 58 anos, a decisão dele e de sua esposa Marisa, 53, de adotar um grupo de cinco irmãos há três anos. Ele conta que a adoção ocorreu “meio que por acaso”. Por causa de uma doença, Marisa precisou trabalhar para incrementar a renda da família. Ela então arrumou um emprego em um abrigo do Rio Grande do Sul, estado onde vivem. Lá ela conheceu as crianças. “Minha esposa sempre trazia alguns deles para passar o fim de semana conosco”, explica.

O contato ficou intenso e na escola do abrigo as crianças deixaram claro para os professores o carinho que sentiam pelo “Tio Nilson” e pela “Tia Marisa”. Nos desenhos que faziam, sempre pintavam o casal junto aos cinco irmãos. A equipe técnica do Juizado da Infância e Juventude comunicou o fato ao casal.  A decisão de adotar o grupo não foi fácil. Nilson e Marisa já tinham outros cinco filhos biológicos – a caçula tem 14 anos e ainda reside com eles. Outra questão que teve de ser enfrentada era a renda. A idade já avançada também foi considerada. “Pensamos umas 10 vezes no assunto até decidirmos e dizer ‘agora é pra valer’”, conta.

O casal deu então início ao processo de adoção. Durante o percurso, não lhes faltaram ajuda. A igreja da qual fazem parte comprou camas beliches para as crianças e tem colaborado todo mês com meio salário mínimo. A família do casal e os profissionais do Juizado da Infância e Juventude também contribuem sempre que possível. “Hoje nossas crianças têm tudo em abundância: roupa, calçado, brinquedos”, afirma. “Foi realmente algo de Deus. Nenhum juiz, ao nos avaliar, diria ‘eles podem’. Primeiro, porque nossa renda era incompatível”, diz Nilson, que hoje trabalha como porteiro. Marisa deixou o emprego no abrigo e agora se dedica à criação dos filhos Naiana (4 anos), Vagner (7), Vanderson (8), Valeska (9) e Suelen (11) em tempo integral.

Nilson não nega que a adaptação foi difícil. “Não somos anjinhos. Erramos como todos os seres humanos. Já peguei uma vara. Bati”, desabafa. De acordo com ele, as dificuldades foram e são superadas a cada dia por meio do imenso amor que se construiu na família. “Minhas crianças são criadas em um ambiente de muita educação e respeito. Adotamos com ele a conversa, aquela coisa de colocar os pingos nos ‘is’. Quando decidimos assumi-los, decidimos lhes dar amor, carinho e educação. Também não fizemos diferenciação com nossos filhos biológicos. Todos são iguais”, afirmou.

Giselle Souza
Agência CNJ de Notícias