Liberty chega a Brasília para atuar na reinserção social de detentos e ex-detentos

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O Instituto Liberty, referência em ações de reinserção social de detentos e egressos do sistema carcerário, acaba de inaugurar, em Brasília/DF, sua primeira sede fora de Campinas/SP, município onde atua há sete anos. Por meio de parcerias com instituições públicas e privadas, a entidade já conseguiu trabalho e renda lícita para mais de 200 pessoas com atividades desenvolvidas na esfera do Programa Começar de Novo, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que utiliza a capacitação profissional e o trabalho na prevenção da reincidência criminal.

A sede brasiliense do Liberty iniciou os trabalhos na segunda-feira (13/5) e já firmou a primeira parceria. Juntamente com a Econvia, empresa de construção civil e terraplanagem, discute com o Poder Judiciário e o Ministério Público do Distrito Federal a possível instalação de uma máquina de fabricação de blocos de concreto no interior do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A ideia é garantir emprego e remuneração para os detentos, que poderiam também, com base na legislação brasileira, reduzir o tempo de duração da pena em um dia a cada três trabalhados.

Outra iniciativa em discussão é trazer para Brasília experiência nascida na matriz da entidade em Campinas: a venda dos Produtos de Limpeza Sociais Liberty, por egressos do sistema carcerário e detentos que cumprem pena nos regimes semiaberto e aberto. Em Campinas, sete condenados, incluindo quatro estrangeiros, vão de casa em casa vender diferentes produtos, como água sanitária, alvejante e detergente. Cada embalagem tem dois rótulos, sendo um da empresa fabricante, de nome Vereda, e outro do Liberty, que traz informações sobre as vantagens da compra. O texto diz: “Adquirindo este produto, você estará tirando pessoas do mundo das drogas; apoiando pessoas em situação de rua; dando oportunidade para egressos; ajudando a diminuir violência e criminalidade”.

Articulação  A unidade de Brasília pretende atrair a parceria de fabricantes locais de produtos de limpeza para fazer o mesmo no Distrito Federal. A ideia é vendê-los para empresas privadas e instituições públicas, como ministérios, tribunais, Câmara dos Deputados e Senado Federal. Caberá também à sede brasiliense do Liberty dar continuidade à articulação iniciada com o Ministério das Cidades, visando ao emprego de egressos do sistema carcerário em obras do Programa Minha Casa, Minha Vida, que constrói casas para a população de baixa renda.

O Instituto Liberty foi fundado em 2006 e se tornou referência no atendimento a detentos e egressos do cárcere. Como reconhecimento a esse trabalho, o CNJ concedeu à entidade, em 2010, o Selo do Programa Começar de Novo. O Liberty também presta atendimento a pessoas em situação de rua, portadores do vírus HIV e dependentes químicos. “Trabalhamos a partir do princípio de que é possível, sim, incluir as pessoas socialmente e tirá-las da miséria e da criminalidade. Custa muito pouco; basta ter vontade de construir um mundo mais solidário e com menos violência, o que acaba sendo bom para todos nós”, afirmou Marcos Silveira, fundador e coordenador do Instituto Liberty.  

Jorge Vasconcellos
Agência CNJ de Notícias