Organização criminosa tenta dominar maior presídio de SC

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Os juízes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que realizam Mutirão Carcerário em Santa Catarina encontraram, durante o primeiro dia de realização do mutirão, a sigla “PGC”, que corresponde a Primeiro Grupo Catarinense (PGC), em várias celas da Penitenciária Estadual de São Pedro de Alcântara, a maior do estado. Até o próximo dia 8, a mobilização, formada por juízes e assessores do CNJ, vai inspecionar todo o sistema carcerário de Santa Catarina, que conta com cerca de 15 mil presos distribuídos em 50 estabelecimentos prisionais.

Esta, segundo informação dos técnicos, foi a primeira vez que se teve contato com tal organização criminosa. Segundo o diretor do Departamento de Administração Prisional, Adércio Velter, a criação do grupo seria recente. “Mesmo assim, já existe uma tentativa de aproximação com organizações criminosas maiores, como o Comando Vermelho (RJ) e o PCC (SP)”, explicou. O diretor da Penitenciária Estadual de São Pedro de Alcântara, Carlos Alves, contou que o PGC seria responsável pelas oito mortes violentas ocorridas no local, desde o início do ano.

Segurança pública – De acordo com o coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do CNJ (DMF/CNJ), juiz Luciano Losekann, as mortes seriam uma tentativa de derrubar a atual direção do presídio. “Eles diziam que haveria uma morte por dia até que o diretor saísse”, afirmou.

Durante a cerimônia que formalizou a abertura do mutirão carcerário, realizada no Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (TJSC) nesta segunda-feira (13/6), Losekann lembrou que o sistema prisional está diretamente ligado à segurança pública. “Enquanto mantivermos o modelo de prisão que chamo de presídio-lixo, estaremos reproduzindo a criminalidade”, disse.

Paz social – O presidente do TJSC, desembargador José Trindade dos Santos, ressaltou a importância do caráter pedagógico da pena, “e não somente o punitivo”. O desembargador disse que apoia “incondicionalmente” a realização do mutirão carcerário. “Não alcançaremos a paz social fazendo injustiça àqueles que já estão privados de um dos seus maiores bens: a liberdade”, afirmou.

Após a cerimônia, a coordenadora do mutirão, a juíza Soraya Brasileiro, o juiz responsável pelas inspeções, Carlos Ritzmann, e o coordenador da Coordenadoria de Execuções Penais, Infância e Juventude (CPIJ/TJSC), Alexandre Takaschima, reuniram-se com a equipe com vistas a definir ações para a realização do trabalho. Cerca de 170 pessoas, entre magistrados, servidores, defensores públicos e promotores de justiça, estão mobilizados na tarefa. 

Manuel Carlos Montenegro
Agência CNJ de Notícias