Pequenas e médias empresas, no Ceará, são parceiras no Programa Começar de Novo

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Diversas empresas do estado do Ceará firmaram parcerias com o Programa Começar de Novo, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que visa à sensibilização de órgãos públicos e da sociedade civil para que forneçam postos de trabalho e cursos de capacitação profissional para presos e egressos do sistema carcerário. As empresas, de pequeno e médio porte, atuam em diferentes segmentos como supermercados, cosméticos, produtos elétricos, contabilidade, construção civil, entre outros, oferecendo oportunidades de reinserção no mercado de trabalho e reduzindo, por consequência, os índices de reincidência no crime.

As empresas são parceiras do Programa de Reinserção Social de Cumpridores de Penas do qual faz parte o Núcleo de Reinserção Social (NURE), uma iniciativa da Vara de Execução de Penas Alternativas e Habeas Corpus do Poder Judiciário do Estado do Ceará, sob o comando da juíza Maria das Graças Almeida de Quental, que, em parceria com o Programa Começar de Novo, promove ações para a qualificação profissional e empregabilidade dos presidiários.

O projeto atendeu, nos anos de 2013 e 2014, o total de 584 cumpridores de penas encaminhados para o mercado de trabalho, além de proporcionar cursos profissionalizantes para 373 presidiários em áreas como informática, cabeleireiro e beleza, administração, culinária, mecânica de automóveis, confecção e calçados, metalurgia, mineração, construção civil, entre outras.

Uma das empresas parceiras é a Romazzi, de médio porte do segmento de materiais elétricos, que há pouco mais de um ano mantém um núcleo de 11 detentos que trabalham para a empresa no projeto Fábrica Escola, que tem como objetivo a reinserção social de detentos e egressos do sistema carcerário, em Fortaleza, e recebeu, em agosto de 2013, o selo Começar de Novo do CNJ.

De acordo com Lara Siebra Pinheiro, coordenadora de Recursos Humanos da Romazzi, a empresa oferece treinamento para os internos, que atuam na montagem de materiais elétricos semiacabados, realizado por um funcionário que foi contratado após fazer parte do projeto e terminar de cumprir sua pena. “Quando vemos que uma pessoa foi recuperada e deu outra destinação à sua vida, ficamos muito gratos, sentimos que a empresa está cumprindo a sua contribuição social”, diz Lara.

Os internos que trabalham no núcleo da Romazzi têm uma meta de produção diária de 10 quilos em peças eletrônicas, que são encaminhadas para a empresa, situada no polo industrial de Maracanaú/CE, para acabamento final e embalagem. Eles recebem um salário pago pela empresa, e o projeto Fábrica Escola custeia o transporte e a alimentação. De acordo com Lara, há muita ansiedade e vontade deles em ingressar na empresa após o cumprimento da pena. “Sempre dizemos que aqueles que tiverem uma boa conduta poderão ter essa oportunidade”, afirmou.

Segundo Lara, foi preciso fazer um preparo com os funcionários da empresa – atualmente 180 – para que não houvesse nenhum preconceito ou constrangimento em relação aos participantes do projeto.

Para José Marrom, proprietário da Marrom World Contabilidade e Emplacamentos, empresa de pequeno porte que conta com três funcionários, a principal barreira que os presidiários enfrentam ao ingressar no mercado de trabalho é o preconceito. A Marrom Contabilidade teve a experiência de contratar, há um ano e meio, um presidiário do regime aberto para serviços de contabilidade e, após o término da pena, o jovem de 28 anos deixou a empresa porque conseguiu emprego em uma farmacêutica, em um cargo mais alto. “Após ter a oportunidade de trabalhar, ele não voltou mais para o crime e eu não teria problemas em receber outra pessoa nessa condição”, disse José Marrom.

Em julho do ano passado, o Programa de Reinserção Social de Cumpridores de Penas da Vara de Execução de Penas Alternativas e Habeas Corpus do Poder Judiciário do Estado do Ceará, também promoveu a contratação de ex-presidiários para trabalhar na reforma da Arena Castelão, estádio de Fortaleza/CE que sediou jogos da Copa do Mundo de 2014. Na equipe de 5 mil operários que entregou em janeiro de 2013 a principal arena esportiva do estado, 24 eram ex-detentos. A instituição responsável por recrutá-los foi o Instituto do Desenvolvimento do Trabalho (IDT), organização social sem fins lucrativos contratada pelo governo do estado por meio da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social. A iniciativa valeu o Selo Começar de Novo, concedido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Luiza de Carvalho
Agência CNJ de Notícias