Projeto que une presos de Maringá e cegos ganha Prêmio Innovare 2017

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No presídio de Maringá/PR, todos os dias mais de 30 presos se preparam para confeccionar livros que têm uma finalidade especial: permitir que deficientes visuais tenham acesso à literatura e a livros paradidáticos. 

Sob coordenação do Conselho Comunitário de Segurança de Maringá (Conseg) e parceria com o Centro de Apoio Pedagógico (CAP) de Maringá, o grupo já entregou mais de 84.820 materiais didáticos em relevo, 453 livros e 54 apostilas digitados, e 126 livros e 12 apostilas falados – em diversas cópias nos 13 anos de trabalho. 

Pelo impacto social e processo inovador, uma vez que foi organizado pela sociedade civil, o projeto intitulado “Visão de liberdade” ganhou o primeiro lugar no Prêmio Innovare 2017, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na categoria Justiça e Cidadania. “Tivemos a ideia de realizar esse projeto ao observar a dificuldade do CAP para conseguir material didáticos para cegos.

Na época, eu era diretor do presídio. Pensei: por que não ajudar? Conseguimos os equipamentos por meio de uma parceria com a Receita Federal e tocamos em frente”, afirmou o idealizador e coordenador do projeto, Antônio Tadeu Rodrigues. “Eu acredito nos benefícios do trabalho e do estudo para os presos.

É visível o orgulho dos presos em participar de um projeto que permite a um cego estudar. Inclusive, eu presenciei várias histórias extraordinárias nos doze anos em que fui diretor de presídio. Preso que não trabalha, que fica ocioso, fica perigoso”, completou. 

Os livros produzidos são distribuídos como materiais didáticos para alunos cegos da rede estadual de ensino em diversas partes do Brasil e até em Portugal. São livros de impressão em Braille, livros falados, materiais em relevo, maquetes e jogos adaptados. Para participar do projeto, os detentos passam por uma seleção.

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São capacitados em noções básicas do Sistema Braille e do software Braille Fácil. Depois dessa etapa inicia-se o estágio de digitação no software Braille Fácil, revisão realizada pelos digitadores e encaminhamento do arquivo para o CAP. Ao chegar no centro de apoio, há uma nova revisão por professores especialistas, impressão em Braille, outra revisão realizada por um revisor cego, última impressão, encadernação e envio para os alunos.

Premiações

O prêmio Innovare foi a quarta premiação recebida pelo projeto. Em agosto de 2011, o Visão de Liberdade recebeu o Prêmio Cidadania, promovido pela ANABB (Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil), e, em novembro do mesmo ano, o Prêmio da Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social.

O Visão de Liberdade foi reconhecido em 2014 pelo Prêmio ODM Brasil, iniciativa da ONU/PNUD que incentiva, desde 2004, ações, programas e projetos que contribuem efetivamente para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Ele concorreu com outros 1.090 inscritos, sendo 804 de organizações sociais e 286 de prefeituras.
 

Paula Andrade

Agência CNJ de Notícias