Trabalho ocupa seis de cada 10 detentos de presídio catarinense

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A rotina de um dia de trabalho pode ser comum à maioria das pessoas, não para homens e mulheres que cumprem pena em regime fechado. Durante inspeção à Penitenciária Estadual de São Pedro de Alcântara, os juízes do Mutirão Carcerário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em Santa Catarina descobriram uma exceção à regra na casa, distante 31 quilômetros de Florianópolis. Na casa prisional, 60% dos 1.248 presos ocupam o dia com alguma atividade laboral. Muitos presos prestam serviços para a própria unidade. Cinco detentos produzem cerca de 3 mil pãezinhos por dia para o café da manhã. A lavanderia também é responsabilidade de apenados, assim como a preparação do almoço e do jantar. Feitas pelas mãos de um grupo de presos em uma cozinha industrial, as refeições alimentam diariamente tanto colegas das celas como agentes prisionais.   

Outros presos trabalham para uma conhecida empresa produtora de telefones, a Intelbras. Quem entra na sala onde se montam e testam aparelhos e fontes de telefones sem fio sente-se no chão de uma fábrica, em meio à linha de produção. Além de poder trocar um dia trabalhado por três dias a menos de pena, alguns chegam a receber R$ 700 no fim do mês, garante o diretor da penitenciária, Carlos Alves. “Depende da produtividade de cada um. Mês passado a unidade daqui bateu recorde de produção entre todas as unidades da fábrica”, explica.

Mutirão – Iniciado nesta segunda-feira (13/6), a mobilização vai inspecionar até o próximo dia 8 o sistema carcerário do Estado, que possui cerca de 15 mil presos distribuídos em 50 estabelecimentos prisionais, na capital e no interior. Enquanto isso, uma equipe de cerca de 170 pessoas, entre magistrados, servidores, defensores públicos e promotores de justiça, vão revisar todos os processos dos condenados e as prisões de presos provisórios do Estado.

Manuel Carlos Montenegro

Agência CNJ de Notícias