Uma vida radicalmente transformada

Compartilhe

A vida de Lázara Martins dos Santos começou a mudar quando aproveitou a oportunidade de trabalhar como copeira no Conselho da Comunidade de Campo Grande, no Parque das Nações Indígenas, na Capital do Estado. De lá para cá não parou mais. Estudou, juntou dinheiro e conseguiu montar a confecção Cantares.

Com um ano de existência, a empresa é formalmente constituída, tem CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), alvará da prefeitura e tudo o que é necessário para a legalização de um negócio. Especializada na confecção de uniformes, fornece uma média mensal de mil peças para empresas privadas e para o setor público, inclusive para o Conselho da Comunidade.
 
“Por experiência própria eu posso dizer que o estudo e o trabalho podem salvar uma vida. Quando trabalhava no conselho eu botei na cabeça que iria estudar e ter uma vida digna. Estudava e trabalhava. Juntei dinheiro e comecei a comprar umas máquinas de costura, do tipo industrial. Montei a empresa e hoje tenho doze máquinas. Hoje minha autoestima está lá em cima!”, comemora a microempresária, antes de anunciar a próxima missão de sua vida: “Quando terminar o ensino médio, no fim deste ano, vou fazer o vestibular. Quero fazer faculdade de Moda”.
 
Conselhos da Comunidade

Parceiros do Programa Começar de Novo, os Conselhos da Comunidade foram criados pela Lei de Execução Penal para efetivar a participação da sociedade na reinserção social de detentos e ex-detentos, além de auxiliar o Poder Judiciário na fiscalização da execução da pena. Nomeados pelo Juiz de Execução Penal, os conselheiros são integrantes do Judiciário, do Ministério Público e da sociedade civil.
 
O presidente do Conselho de Campo Grande, Nereu Rios, disse que Lázara dos Santos é uma entre os cerca de 11 mil reeducandos que já passaram pela instituição, fundada há 12 anos. “A Lázara é um dos mais fortes exemplos de que o estudo e o trabalho dão dignidade à pessoa. Acho que o poder público deveria investir mais na capacitação profissional, não só de detentos mas também de adolescentes que cumprem medidas socioeducativas. Com trabalho dificilmente uma pessoa volta para o crime”, afirma Nereu, que, antes de presidir o conselho, atuava como instrutor de cursos de capacitação no sistema carcerário de Mato Grosso do Sul.  
 
Nereu estima que o índice de reincidência criminal entre os reeducandos de Campo Grande esteja entre 3% e 6%, “muito inferior à média estimada entre os detentos que não estudam nem trabalham, que é de 80%”. O presidente do conselho  considera que o investimento na reinserção social dessa população é uma eficiente estratégia de Segurança Pública. “A sociedade precisa se conscientizar de que ela própria acaba se beneficiando. É fundamental acabar com o preconceito contra esses cidadãos. Muitos deles querem se recuperar e conviver pacificamente na sociedade”.

Jorge Vasconcellos
Agência CNJ de Notícias